INTRODUÇÃO AO TEMA

Maio de 2017, último mês do ciclo de 1 ano para o Projeto ConheSeremos. O tema que estudaremos este mês é: Moradores de Rua.

Qual a realidade dos moradores de rua? Estão nessa condição por decisão própria? Por opção? Ou pela falta dela?
Ao caminhar rumo aos nossos destinos, trabalho, lazer, não é raro se deparar com pessoas que consideram as ruas suas casas. Algumas pedem dinheiro, outras comida. Qual nosso critério para responder a tais pedidos? Será suficiente essa ação? Será correta? Qual a necessidade real?

Por trás destes milhares de pessoas, milhares de histórias. Com histórias e um passado possivelmente infortúnio, qual a esperança para um futuro melhor? O que está sendo feito atualmente sobre esta situação? Estas ações atuais são suficientes e eficazes? Qual nosso papel como cidadão para com esta realidade?

Sei que tenho ignorado a existência desta realidade, e não tenho pensado sobre o que posso fazer a respeito. Existe alguma mudança de paradigma que, se levada em conta por todos cidadãos, melhoraria naturalmente a vida destas pessoas?

Muitos questionamentos, um mês para respondê-los.

E você, o que acha?

Leituras relevantes sobre o tema:

(inclua abaixo sugestão de leituras que acredite interessantes para este tema)

Conhecer a população de rua

Estadão

Apesar de este ser um problema social grave – e especialmente presente nos grandes centros urbanos –, o País não conta com dados oficiais sobre a população que vive nas ruas.
Clique aqui para ler!

Só no frio

Flavio Costa

Moradores de rua explicam por que vão ou não aos abrigos de SP
Clique aqui para ler!

Sobre a Revista Ocas

Ana Beatriz Rosa - HuffPost

Revista vendida por moradores de rua é ferramenta de inclusão social.

Clique aqui para ler!

Conhecer a população de rua

Estadão

Apesar de este ser um problema social grave – e especialmente presente nos grandes centros urbanos –, o País não conta com dados oficiais sobre a população que vive nas ruas.
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Podemos contar com sua opinião?

Ajude-nos a entender esta realidade respondendo à seguinte pesquisa sobre:
Percepção da Realidade dos Moradores de Rua:

Clique aqui para acessar o formulário!

Vídeos sobre o tema:

Projetos relacionados ao tema:

(inclua abaixo sugestão de projetos que acredite interessantes para este tema)

One Dollar Dreams

One Dollar Dreams

Projeto sem fins lucrativos que visa ilustrar a realidade dos moradores de rua a nível global.

Acesso ao projeto

Entrega por CPS

Entrega por CPS

"um grupo de amigos que se reuniu para fazer o bem sem olhar a quem"

Acesso ao projeto

Campinas Invisível

Campinas Invisível

"O projeto Campinas Invisível entrevista moradores de rua, catadores, artistas de rua e profissionais menos reconhecidos por Campinas para saber as histórias que existem por trás delas, suas alegrias e tristezas, a maneira com que eles veem o mundo e seus acontecimentos."

Acesso ao projeto

Mini Gentilezas

Mini Gentilezas

"O Mini Gentilezas é um projeto com a proposta de fortalecer iniciativas que promovem campanhas de arrecadação de produtos de higiene pessoal, que são destinados à pessoas em situação de rua."

Acesso ao projeto

Relatos pessoais:

(inclua abaixo seu relato sobre o tema para que aprendamos sobre esta realidade)

O primeiro passo é escuta-los mesmo, devemos entender a realidade das pessoas em situação de rua pelo ponto de vista deles, entender a rotina de cada um e as dificuldades.
Devemos lembrar que as circunstâncias de estar vivendo nas ruas é o que os unem, mas cada um tem um nome, uma história, um sonho. 
Pessoas que não estão em situação de rua devem perder o preconceito contra os que vivem nas ruas, devem praticar a empatia, ser solidários, trabalhar para que esta realidade social melhore. É nisso que o Entrega por Campinas acredita e é por isso que saio as ruas todos os meses com eles!
Parabéns por estarem colaborando a mudar estar realidade ConheSeremos, estamos juntos!

– Bruno Dante (Entrega por Campinas)

Este tema é um grande desafio à nossa reflexão. Não consigo de pronto levantar uma ideia de solução, mas me instiga em fazer algo. Certa vez ouvi de um morador de rua que conversei num semáforo e ele me disse, que só o fato de eu tê-lo ouvido com atenção já tinha lhe dado muito! Isso me tocou, pois entendi que a pior miséria humana é ser invisível aos olhos dos outros, de receber o desprezo e a indiferença. Mas é real, que apesar de não ser conselhável darmos dinheiro a fim de não contribuirmos com o uso de drogas ou o tráfico de pessoas, muitos sentem fome e frio. Como disse no início, não vejo uma solução ou que caminho devemos tomar, mas vejo que é importante observarmos o outro em nosso caminho, com menos preconceito e mais compaixão.

– Silvia La Mon

Recentemente o universo me proporcionou a oportunidade de ter contato com uma realidade a qual todos sabem que existe, porém ainda é algo imperceptível e invisível para os olhares da grande maioria. Participei do entrega por Campinas, e o que mais me fascinou com essa experiência, foi perceber que, além da entrega de ítens necessários para moradores de rua, o foco principal dessa ação é a doação de atenção, carinho, e principalmente AMOR por pessoas que você nunca viu na vida!! Muitas vezes achamos que a doação se traduz no material, mas na minha humilde opinião, muito maior que isso está na doação do AMOR AO PRÓXIMO SEM ESPERAR NADA. Dentre algumas conversas durante a noite, percebi que são variados os motivos que os levam a estar na rua, sendo que, a grande maioria sonha em sair de lá. Mas percebi também, que maior que dificuldades financeiras, há também a barreira que eles se impõem ou por não se acharem dignos, por se acharem frágeis, por se apegarem a um passado não tendo força para mudar. Senti naqueles olhares a importância de cada palavra na conversa, da atenção, de mostrar a eles que nesse mundo existem sim pessoas que se importam, os enxergam e estão ali dispostos a ajudá-los. Eu acredito na humanidade e sei que o mínimo a ser feito por um, é TUDO para alguém!! Vamos nos unir nessas ações, porque juntos somos maiores!!

– Thais Barbosa

Não diria que esse é o tema que mais me agradou, até porque, todos os temos do Conheseremos me agradam. Mas este é sem dúvida, o tema que mais me identifico. Como talvez saiba, sou filho de ex-empresário, ex-político, ex-dono de bairro (vila Fortuna, em Campinas), e ex-desabrigado.

Sim, meu pai, em meados de 1995 – quando tinha 5 anos – perdeu tudo que tínhamos. Casas, terrenos, fábrica, loja, carros, e também deixou a política local. Foi bem difícil nos primeiros anos, pior nos últimos; quando ele veio a falecer.
Amigos empresários, políticos? Puxa, nunca vi frequentarem minha nova casa de apenas 3 cômodos. Acho que o legal era quando eu morava no bairro mais caro, com a casa mais bonita e meu pai tinha o melhor Ford de coleção. Passamos necessidades, faltava coisas… Afeto? Também foi embora. Passei um tempo fora. Costumava dizer que não passei dez anos fora do Brasil, passei dez anos fora do planeta.
Voltei à realidade, em 2005. Brasil; estou de volta! Terra da bota, um dia eu volto. 
O que havia sobrado aos meus pais? A amizade de pessoas de ruas. Sim, os que menos tinham, eram os que mais os davam.
Está aí! Moradores de ruas. Porque não?
Só porque moram nas ruas são menores que os abrigados? Não!
Meus pais estavam sem dinheiro, para nada. Fato raro na nossa família. Tive que me virar.
Morei no escritório da prestadora de serviços de uma importante Cia aérea francesa por 07 meses. Resultado? Aprendi o trabalho. Era estatal, prestei o concurso – passei em primeiro lugar no mundo! Que felicidade!
Terminei a graduação. Duas pós em seguida. Agora, estou na terceira. Preparando-me para o próximo passo.
Voltando à Cia aérea – O maior benefício, para um jovem aventureiro como eu era, não seria um salário gordo, um cargo cheio de glamour. Passagens aéreas! Sim! Eu não pagaria para viajar. Pronto! Estava prestes a realizar meu sonho. Viajar o mundo, conhecendo moradores de ruas.
Em cada cidade pelo mundo – Nova Iorque, Bangcoc, Londres, Barcelona, Amsterdã, Berlim, Tóquio, Johanesburgo – uma história incrível. Em Zadar, na Croácia, um simpático morador de ruas dizia dormir no lugar onde mais o acalmava, ao lado do Órgão do Mar. Um projeto fantástico do arquiteto Croata, Nikola Basic. Onde notas musicais eram levemente alçadas ao vento, vindas do mar. Procurem fotos, vão adorar!
Em Milão, um morador de ruas se apresentava como “Rei”. Afinal, ele morava na rua do Castelo Sforzesco. Ele tinha sim, pinta de Rei.
Em Paris, a maior delas. Conheci Jean-Paul Anzavour. Um ex-multi milionário que tinha um sonho totalmente inusitado. Sim, virou livro. Sua história era ou é realmente fora do comum.
A história de um mero morador de ruas mudou a minha própria história.
Acredite!
Pode mudar a sua também.
– Diego Vedovato Fortuna
Livro – Um lugar para morar – O mistério de Jean-Paul Anzavour.
Lançado em 2016. Encontrado nas maiores livrarias do país.

Nossa morada aqui é breve.

[Documentário]

Durante os últimos 12 meses no Projeto ConheSeremos aprendemos com leituras, palestras, relatos, e discussões. Neste último mês com o tema “Moradores de Rua”, decidimos criar um documentário sobre esta realidade. Neste mês, foi importante perceber que não bastavam as leituras, somente seria possível entender a realidade de quem mora nas ruas através do contato direto, da conversa, da escuta e da compreensão.

Com isso, passamos uma noite nas ruas de Campinas/SP conversando com moradores de rua, entregando água e alimento além de nosso tempo e disposição para escutá-los. Deixamos aqui o resultado: “Nossa morada aqui é breve”, um documentário sobre a realidade de quem mora nas ruas.

O barulho da rua pode ser alto e dificultar a escuta, como de fato é para eles diariamente. Não os escutamos, sentem como se não fossem ouvidos. A iluminação pode ser por vez baixa, como de fato é durante as noites. Porém, fora qualquer profissionalismo cinematográfico, tentamos retratar a realidade tal como ela é.

Esperamos que gostem, que reflitam e que compartilhem vossa opinião sobre esta questão.

Este documentário tem como finalidade apenas a educação e a conscientização sobre as realidades humanas. As gravações a seguir foram realizadas com a permissão dos entrevistados e seus nomes foram modificados para preservar suas identidades.

 

Marcelo, 47 anos

Marcelo, 47 anos

Ricardo, 50 anos

Ricardo, 50 anos

Paulo, 46 anos

Paulo, 46 anos

André, 35 anos

André, 35 anos

João, 250 anos

João, 250 anos

Percepção da Realidade dos Moradores de Rua

Durante os estudos sobre a realidade dos Moradores de Rua, foi importante receber dos participantes qual a percepção pessoal de cada um com relação a esta realidade. Ler estas respostas é uma ótima forma de reavaliar nossa própria consciência sobre o tema. Eis algumas das respostas:

Como você descreveria em poucas palavras a realidade de quem mora nas ruas?

Triste.
Histórias de vida não contadas.
Dura, triste e fria.
Solitária.
A rotina é um vício, somos viciados na preguiça, na comodidade e no esperar em um amanhã que não chegará para começarmos uma mudança. Sair de uma rotina para mudar sua vida é difícil para quem possui todos os meios acessíveis, então imaginemos para quem deseja sair não possuindo se quer uma porta estreita aberta que lhe de o “caminho” para mudar em um “amanha”. Para mim a realidade de quem mora na rua é a realidade de uma rotina longa, sem esperança, tediosa, é sempre estar à espera de algo que ninguém sabe definir. Nós deixamos passar pessoas maravilhosas em nossas vidas porque continuamos buscando uma “alma gêmea” eles deixam passar oportunidades valiosas com propósitos de mudanças, para esperar um milagre. No final a realidade deles é apenas uma rotina bem mais perigosa, bem mais triste, e com finais asfixiantes e a sociedade assiste tudo como uma novela usando a palavra normalidade, para não se sentir condenado na eternidade.
Realidade cruel, pois todo humano necessita de um teto, um lar por mais simples que seja, que tenha o básico para lhe dar dignidade.
Triste, fria e repleta de medo.
Vazia, um grito de desespero que ninguém se importa.

Quando um morador de rua lhe pede por dinheiro ou comida, qual critério utilizas para responder?

Se tenho, dou. Sem critérios.
Geralmente só ando com cartão (e é verdade).
Em geral sinto temor por achar que é bandido entao a reação impulsiva é de negar com a cabeça, mas qnd consigo busco seus olhos e faço uma doação, mas é raro essa conexão.
Depende. Se estiver com disponibilidade compro algo para ele se não só peço desculpas. 
Pergunto se tem fome, e lhe dou de comer, compro algo para nós dois, e comemos juntos na rua compartilhando informações e conversando coisas do dia a dia. 
Disponibilizo a possibilidade de ter o alimento, não o dinheiro.
O Entrega por Campinas me ensinou a abaixar o vidro e oferecer um simples Bom Dia, Boa tarde, Boa Noite, quando não tenho nada a dar. Mas sempre ando com pipoquinhas e água para distribuir.
Depende muito da situação e da abordagem, costumo comprar o que é pedido (geralmente comida), porém nunca compraria bebida ou cigarro para um morador de rua.

Quais são as necessidades reais de quem mora nas ruas?

Atenção, pois a partir desta, podemos ajudar da forma como precisam.
Acredito que um bom trabalho psicológico associado a desenvolvimento de oportunidades.
Pertencerem, foram excluidos, talvez até uma auto exclusão.
Existem milhares de necessidades. A principal é um apoio constante. Alguns até recebem uma ajuda mas se sentem desamparados depois, sem rumo na vida. Quando a ajuda e constante ele tem mais motivação. Instituições que dão todo o apoio medico, psicológico, judicial etc tendem a ter mais sucesso com esse publico. Mas nada vai mudar a situação deles se eles mesmos não quiserem. O morador da rua não vai sair de la se ele quiser estar la, e surpreendentemente tem gente que gosta de morar na rua. E importante entender a realidade de cada um como um individuo e tratar das demandas de cada um. 
Ser acolhido e ter sua dignidade respeitada.
Alimentação, itens de higiene básica, roupas e cobertores.
Uma casa.

Qual o nosso papel como cidadãos para com esta realidade?

Não fingir que esta não existe e ajudar sempre que possível.
Pergunta complexa, não tenho uma resposta.
Torna-los visíveis e empodera-los a sair desse cenário, e tb fazer o mesmo papel para com os demais cidadãos.
Principal papel e não fechar nossos olhos para a realidade. Você dorme quentinho embaixo da coberta em quanto o outro morre na rua do lado. E outro papel e eliminar da nosso mente o pensamento estereotipado de morador de rua. Parar com rótulos e enxergar o outro como um ser humano.
Não nos acomodarmos apenas no fazer planos e projetos em papeis, e sim prepara-nos financeiramente e emocionalmente para abrirmos casas que possam recebe-los. 
Estar ativo e presente de alguma forma.
Recentemente, fomos a uma evento que envolvia várias Instituições ligadas a pessoas em situação de rua. Apesar de fazermos tudo com muita boa vontade, o assistencialismo que prestamos deveria ser exigido das autoridades. Portanto, nosso papel é pressionar o governo para por em práticas os direitos e leis destinado a essas pessoas.
Um prato de comida não vai resolver/mudar a situação atual de um morador de rua irá apenas satisfazer uma necessidade imediata , porém nós como cidadãos podemos instruir e ajudar as pessoas a nossa volta (familiares e amigos) para que não acabem um dia nas ruas.

Seção Especial: Entrega por CPS

Uma seção especialmente dedicada ao Projeto Entrega por Campinas

www.facebook.com/entregaporcampinas

Somos um grupo de amigos que se reuniu para fazer o bem sem olhar a quem.

Doamos nosso tempo, nossa atenção e nosso carinho uma vez por mês pelas ruas de Campinas.

Em paralelo, entregamos kits com alimentos e itens de higiene pessoal. Você nem imagina a alegria dos moradores ao receber um lanche fresquinho, uma garrafa de água e uma escova de dente!

Nossas ações são sempre na última sexta-feira do mês. Que tal se entregar?

Opinião Pública

(inclua na seção abaixo seus comentários, devaneios, viagens filosóficas sobre este tema… queremos aprender contigo)

O que acha?